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Nem todas as decisões são criadas iguais.

Fazemos inúmeras escolhas todos os dias, desde as mundanas como o que vestir e comer até as mais complexas como aceitar um novo emprego, comprar uma casa ou decidir lançar um novo produto, se associar à outra marca e até mesmo autorizar o lançamento de um foguete espacial. Às vezes, algumas nos levam pelo caminho errado ou não nos levam aos resultados desejados. Algumas podem até custar alguns milhões, bilhões e até mesmo vidas. 


Isso ocorre porque o processo de tomada de decisão nem sempre é simples e existem muitas armadilhas comuns em que podemos cair. O que podemos fazer? Com tantos dados e opções à nossa disposição, a receita é estarmos conscientes dos erros comuns, assim os contornamos, tomamos melhores decisões e nos tornamos ainda mais relevantes.

Nesse sentido, vamos explorar cinco das principais armadilhas na tomada de decisão e fornecer dicas e estratégias para evitá-las:

1. Viés da Disponibilidade

O principal obstáculo para uma boa tomada de decisão é o desconhecimento de nossos preconceitos e, quando se trata de tomada de decisão, ter dados precisos é fundamental. No entanto, confiar apenas em dados prontamente disponíveis pode ser problemático. É aqui que entra em jogo o viés da disponibilidade, pois as pessoas tendem a se concentrar nos dados que estão bem à sua frente e negligenciam os dados que podem ser mais difíceis de obter, mas são necessários para tomar decisões informadas.

Um exemplo prático: no processo de contratação de pessoas, as empresas tendem a avaliar suas práticas de contratação com base apenas nos sucessos que tiveram, como quando contrataram um ótimo funcionário, por exemplo. No entanto, essa abordagem negligencia os indivíduos altamente talentosos que não foram contratados e poderiam ter sido o próximo “Elon Musk”. Para isto, é necessário analisar dados sobre os candidatos que não foram contratados, ao longo do tempo, após a tomada de decisão ter ocorrido.

Outro exemplo comum: executivos podem avaliar suas estratégias de uma aquisição com base nos dados prontamente disponíveis, como o retorno do investimento após a aquisição de determinadas empresas. No entanto, podem não considerar os dados das empresas que foram rejeitadas ou das ações que foram perdidas, que são cruciais para avaliar a eficácia de sua estratégia de aquisição.

É fundamental estar ciente de que os dados disponíveis podem não necessariamente responder às perguntas que precisam ser respondidas. Se a decisão for de alto risco, é crucial ser criativo na coleta de dados que responderão à pergunta em questão, apesar do esforço extra envolvido.

2. Emoções de Curto Prazo

Cada decisão que tomamos é afetada por nossas emoções — e quando há muito em jogo e estamos prestes a tomar uma decisão importante — é muito fácil que nosso julgamento fique turvo por essas emoções, especialmente se vierem de pressão externa. É importante pausar para um certo distanciamento das pressões e emoções de curto prazo e ser capaz de avaliar os dados sem que nosso julgamento seja confundido e distraído por essas emoções. 

O desastre do foguete espacial Challenger é um exemplo terrível dessa armadilha: a NASA sentiu que cancelar o evento de lançamento seria um desastre de relações públicas. Havia muita pressão da alta administração e de políticos para garantir que o programa espacial estivesse no caminho certo e que estava cumprindo o prometido. Toda essa pressão turvou o julgamento de muitos, levando ao negligenciamento da preocupação importante de segurança e de não olharem para os dados corretos. Infelizmente, isto é bastante comum, especialmente quando as decisões são desagradáveis.

3. Viés da Confirmação

Às vezes, tendemos a tirar conclusões precipitadas em segundos e só vemos o que queremos ver, desconsiderando o quadro geral. Escolhemos acreditar no que queremos acreditar sem considerar outras perspectivas. Isso acontece com todo mundo, mas estar ciente disso pode nos ajudar a aprender a nos questionar e reconhecer quando podemos estar errados. É possível que seja preciso reunir mais evidências ou informações antes de fazer suposições.

Podemos fazer uma pausa e formular perguntas para entender melhor um contexto, antes de concluir e decidir.

4. Enquadramento Limitante

O processo de tomada de decisão, explora uma abordagem míope ao criar cenários para tomar decisões sem considerar o todo, ocorre frequentemente. Concentramos a atenção em opções específicas e aparentemente atraentes, enquanto tendemos a ignorar toda a gama de opções disponíveis. Cuidado quando você considera um cenário mas não sente que está realmente trabalhando”, que parece mais como um “brainstorming protocolar a cumprir” pois você “já sabe qual é o caminho a seguir” e só precisa começar a fazer o que “deveria já estar fazendo”. Lembre-se, se você não estiver usando a abordagem certa, não está respondendo à pergunta certa.

5. Excesso de Confiança

Temos uma tendência a realizar uma avaliação falsa e enganosa de nossas habilidades, intelecto ou talento — e neste caso para MAIS. Em suma, é uma crença egoica de que somos melhores do que realmente somos. Pode ser um preconceito perigoso e muito prolífico em processos de decisão importantes. Inclui também os efeitos subsequentes para as marcas, negócios e todo o mercado. Por exemplo, a incapacidade da Kodak em ver a fotografia digital como uma tecnologia inovadora, mesmo quando os seus pesquisadores ampliaram os limites da tecnologia.

Conclusão

Quando se trata de tomada de decisão, os seres humanos nem sempre seguem um modelo racional. Os vieses podem afetar todas as etapas do processo, desde a análise de opções até a formulação de recomendações. No entanto, tendo consciência das armadilhas e usando análises, podemos superar esses preconceitos e colaborar melhor com os outros. Nosso cérebro tem dois sistemas: o lado direito que é rápido e intuitivo e o lado esquerdo, lento e analítico. Ambos são importantes, mas precisamos encontrar um equilíbrio entre eles. A análise, juntamente com um processo de design estratégico, pode ajudar a acelerar o processo sem sacrificar uma boa tomada de decisão.

Em última instância, temos uma escolha: confiamos em dados ou apenas nas opiniões da pessoa mais influentes “da sala”? O objetivo do processo de tomada de decisão, é utilizar análises e design estratégico para podermos tomar melhores decisões que beneficiam todos os envolvidos.

Escrito e designed por humanos para humanos 💜
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Referências:
Buehring, J.; Bishop, P.C. Foresight and design: New Support for Strategic decision Making.
• Oraiopoulos, N.; Stillwell, D. Data Analytics: Decision Making Using Data. Cambridge University.
• Zorzo, L. Independent researches and ZORZO® proprietary materials.

 


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